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MAPA DE MOSQUEIRO

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Feito por Orionn Almeida

A ILHA DO MOSQUEIRO NA ROTA DA HISTÓRIA

 

A origem do nome “Mosqueiro”

A influência da cultura tupinambá deixou suas marcas em Mosqueiro, a começar pelo próprio nome. Alguns estudiosos, entre eles Meira Filho, atribuem o termo Mosqueiro a um processo de corruptela do termo Moquém ou Moqueio. Com o objetivo de conservar a carne da caça ou do pescado, os tupinambás utilizam o moqueio, técnica tradicional onde, sobre uma grelha feita com pau de tucumã e envolto na folha do guarumã, a carne fica exposta a um fumeiro feito com a lenha do muruciceiro ou do maraximbé. Nos primeiros séculos de colonização portuguesa, o litoral era responsável pelo abastecimento da cidade de Belém. Os tupinambás submissos, também conhecidos como tapuias eram encarregados desta tarefa. Como não possuíam a cultura do sal e não dispunham de tecnologias como a refrigeração, as praias de Mosqueiro, caminho obrigatório para quem chega a Belém, foram palco da prática intensiva do moqueio. Os colonizadores não conheciam o termo Moqueio, mas conheciam Mosqueiro, nome dado a algumas localidades de Portugal e Espanha, logo concluíram era a ponta dos Mosqueios, a ponta da Musqueira, a ponta do Mosqueiro.

CHAPÉU VIRADO, século passado, primeiras décadas. Momentos que lá se vão carregados pela voragem do tempo. Cenas que não presenciamos e que buscamos reconstruir pelo poder da imaginação. Parece-nos ainda ver os visitantes em seus melhores trajes desembarcarem no trapiche da Vila e, ano após ano, seguirem alegremente em caleches e tilburis (carruagens de tração animal), no bondinho puxado a burro, no trenzinho conduzido por uma locomotiva a vapor apelidada de Pata Choca e nos ônibus de carroceria de madeira. Seu destino: o Chapéu Virado, lugar preferido pela elite de Belém por seu intenso bucolismo e uma paisagem de beleza paradisíaca.

Chapéu Virado é nome antigo em registros cartográficos (Ponta-do-Chapeo-Virado) atualmente Ponta do Farol) de origem desconhecida, talvez uma referência à forma da enseada (chapéu beirado), talvez lembrança da velha clareira ali existente, hoje praça, ontem “o lugar onde o chapéu virava” arrancado da cabeça dos caboclos pelo vento forte que ali chegava canalizado por diversos caminhos.

No final do século XIX e início do séc. XX, entre os anos de 1880 e 1912, no apogeu da borracha, a ilha foi descoberta pelos estrangeiros que trabalhavam em Belém, nas empresas com a Pará Eletric, Amazon River, Port of Pará e outras empresas. Ingleses, franceses, alemães, americanos, portugueses, libaneses e hebraicos estiveram na costa oeste da ilha e muitos construíram, inclusive no Chapéu Virado, vários casarões, cuja arquitetura é um misto de estilos europeus com a realidade climática local, em traços que vão desde o barroco ao neoclássico. Posteriormente, a elite da sociedade de Belém aderiu a esse movimento  na busca do merecido repouso de fim-de-semana. E eles vinham, gente ruidosa, elegante, feliz, antegozando o fim-de-semana no convívio da família e dos amigos, sentindo a magia da Ilha na fartura do verde e das águas, no beijo ardente do sol ou no aconchego do luar. Alguns se dirigiam a seus chalés, vivendas e retiros; outros buscavam hospedagem no Hotel Chapéu Virado, o famoso Hotel do Russo, prédio que ainda existe, porém como um condomínio de apartamentos.

A princípio, humilde pousada em madeira e casa de pasto sob a administração do francês Monsieur Pinet, o hotel Chapéu Virado passaria depois a ser conduzido pela firma Ferreira Gomes & Cia e pelo especialista em hotelaria senhor Manuel Tuñas. Em 1936, foi adquirido pelo casal português Manoel Maria Fernandes Tavares e dona Glória Marques Tavares. O senhor Tavares construiu um anexo em alvenaria ao antigo prédio e, com seu retorno a Portugal em 1939, a gerência do hotel ficou nas mãos de sua filha dona Carolina e de seu genro, o português Antônio Joaquim Ferreira, o Russo, apelido oriundo da cor de seus cabelos. Foi, então, que um incêndio destruiu a primitiva construção em madeira e os novos proprietários receberam do prefeito de Belém Abelardo Conduru e, depois, do governador Magalhães Barata, em forma de ajuda, o pagamento de 3 (três) parcelas e 20 contos de réis, como financiamento para a reconstrução do hotel.

Entretanto, esse prédio não é o único marco histórico do local. Bem no meio da praça está a Capelinha do Sagrado Coração de Jesus, edificada pelo senhor Guilherme Augusto de Miranda Filho, como pagamento de promessa por ter recuperado a saúde na ilha, e inaugurada em 17 de dezembro/1909, pelo arcebispo efetivo de Belém Dom Santino Coutinho. É dessa capela que, no 2º domingo de dezembro, sai o Círio de Nossa Senhora do Ó, padroeira do povo mosqueirense, com destino à Igreja matriz.

Dois outros prédios destacavam-se nos limites da Praça do Chapéu Virado com a Avenida Beira-Mar, ambos de frente para a praia. Um deles ainda existe, embora parte de seu terreno tenha sido negociado e abrigue duas farmácias: trata-se da Vivenda Porto Franco, em estilo neoclássico, antiga residência da família do senhor José Franco. O outro era o Chalé do Coronel Lourenço Lucidoro Ferreira da Mota (o doutor Loló), presidente da Executiva do Partido Republicano do Mosqueiro; depois foi transformado em casa de hóspedes, passou a ser propriedade do doutor Cypriano Santos e, finalmente, demolido para a construção do edifício Lilian-Lúcia.

A pracinha do Chapéu Virado (praça Abelardo Conduru), na confluência da avenida XVI de Novembro com a avenida Beira-Mar, ocupa um lugar privilegiado de onde, através do antigo Caramanchão, pode-se divisar a magnífica baía do Marajó e assistir a um belíssimo pôr-do-sol. Um lugar que guarda lembranças de fatos históricos como a luta heroica e sangrenta de nossos avós cabanos em 1836; a aterrissagem na praia, em 13 de outubro/1927, do avião “Breguet 118” vindo de São Luís do Maranhão e pilotado por Paul Vachet; a chegada ao hotel do Russo, em 14 de junho/1959, da expedição que, vinda de Belém, percorreu a pé, na mata, o trajeto da atual estrada; a 1ª visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, no dia do Círio do Mosqueiro, em dezembro/1965; ou a presença, pela 1ª vez na ilha, de um Presidente da República General Ernesto Geisel, que veio inaugurar, no dia 12 de janeiro/1976, a ponte Sebastião Rabelo de Oliveira sobre o furo das Marinhas.

Os tempos mudaram, no entanto, a pracinha do Chapéu Virado continua sendo atraente, embora sem o “glamour” do passado que levou Arthur Pires Teixeira a torná-la famosa em Paris e sem o hotel do Russo, o ponto chique, onde a nata da sociedade de Belém se reunia em festas de caridade, bailes, concursos e jogos. E a praça recebe os visitantes da ilha com uma linda visão da Copacabana Mosqueirense e despede-se deles com a certeza de que, em breve, estarão ali novamente, vivendo as alegrias de momentos inesquecíveis.

 

 

Imagens/fotos:

ü  Desembarque de passageiros no trapiche da Vila do Mosqueiro no início do séc. passado (fonte: blog H. Baleixe);

ü  Trapiche da Vila do Mosqueiro em armação de ferro e pista de  madeira, 1908 (Meira Filho/1978);

ü  Bondinho puxado a burro no trajeto Vila – Porto Arthur (Meira Filho/1978);

ü  1º ônibus da ilha do Mosqueiro (Meira Filho/1978);

ü  Família reunida em frente ao chalé Cardoso, no Chapéu Virado antigo (fonte: blog H Baleixe);

ü  Fachada do antigo balneário Hotel Chapéu Virado ainda em madeira (fonte: blog H Baleixe);

ü  O Russo e família em frente ao Hotel Chapéu Virado (fonte: blog H B, foto: Hermínio Pessoa);

ü  Capela do Sagrado Coração de Jesus e, ao fundo o hotel Chapéu Virado (Meira Filho/1978);

ü  Banhistas na praia do Chapéu Virado. Vê-se ao fundo, a curva do Porto Arthur (fonte: blog HB);

ü  Poeta Mário de Andrade, 1927, em traje de banho masc, no Chapéu Virado (fonte: blog HB);

ü  Vivenda Porto Franco (foto: Regina/1978);

ü  Chalé do dr Loló em 1907 (M F/1978);

ü  Desbravadores traçando o percurso da futura estrada Belém-Mosqueiro-Belém em junho/1959;

ü  Chegada dos expedicionários ao hotel do Russo, na praça do Chapéu Virado: o 1º passo na futura estrada;

ü  Construção da estrada Belém – Mosqueiro – Belém;

ü  No furo das Marinhas em 1965, uma placa que entrou para a história;

ü  Recepção à Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré em 1965;

ü  A Imagem Peregrina é conduzida em andor no Círio de Mosqueiro de 1965;

ü  Visão aérea da antiga ponta-do-Chapeo-Virado, hoje ponta do Farol.

 

 

 

EDIÇÃO DE TEXTO: PAULO PAIVA

 

Inauguração da Ponte Belém-Mosqueiro em 1976